Coronavírus x home office: como a crise de saúde tem mudado a rotina das startups

Por Tainá Freitas

16 de março de 2020 às 08:57

Fonte: StartSe

Twitter, Méliuz, Loft, Accountfy — essas são apenas algumas das empresas brasileiras que implementaram o home office como uma medida emergencial em meio ao coronavírus. Nesta sexta-feira (13), há ao menos 151 casos confirmados no país. Um movimento semelhante acontece ao redor do mundo, no qual o trabalho remoto virou uma regra temporária em escritórios do Facebook, Apple, Google, Twitter, entre outros.

Essas companhias estão adotando, talvez pela primeira vez, uma rotina que há muito é considerada normal para algumas empresas. No Brasil, a Presto Performance, por exemplo, é uma agência de marketing que opera 100% remotamente. Os funcionários estão divididos entre o Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo, Portugal e Irlanda.

“Eu fui contratar pessoas e encontrei muita dificuldade de encontrar mão de obra qualificada perto”, conta Guilherme Martins da Costa, fundador da Presto Performance. Uniu-essa dificuldade com o fato de a maioria dos clientes se concentrarem em outros locais e a consequência foi que a agência passou a crescer independente das barreiras geográficas.

A Presto lida com essa rotina diariamente, mas é necessário ter processos para que tudo funcione. “É necessário que você tenha um horário todo dia para falar com a sua equipe, esperar as pessoas mandarem e-mail — que é a mentalidade normal —, não vai acontecer. Para se encontrar virtualmente, onde todo mundo pode trocar informação, é necessário incentivo. Todos ficamos conectados na mesma plataforma e se eu quiser, falo com a pessoa na hora — é quase como ficar um do lado do outro”, afirma Guilherme.

O home office como medida emergencial

Mas há empresas acostumadas a trabalhar com os funcionários uns ao lado dos outros que também estão começando a experimentar essa realidade. É o caso da Accountfy, fintech de gestão financeira para empresas. Por medida de segurança e responsabilidade com a sociedade, os funcionários passaram, de um dia para o outro, a trabalhar de casa.

“Estamos usando plataformas online para nos comunicar e todo o time alinhou entre si como será a rotina para fazer funcionar. Ainda temos que bater meta e trabalhar com sinergia, mas cada um em sua casa”, disse Matheus de Paula, líder de marketing da Accountfy. “Na minha equipe, fazemos uma reunião diária no começo do dia, no qual repassamos e alinhamos as atividades de cada um. Nós discutimos as dificuldades e possíveis bloqueios e podemos falar ao longo do dia caso precisemos de um maior entendimento”.

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Embora conte com desenvolvedores remotos no Paraná, a Accountfy possui um escritório em São Paulo em que os a grande maioria de seus funcionários trabalham em regime presencial. “Há pessoas menos adaptadas ao trabalho remoto, que pretendem tratar alguns temas quando voltarmos ao escritório, por exemplo”, cita Matheus. A previsão é que os funcionários façam home office por duas semanas, mas essa decisão pode mudar a qualquer momento.

Quem também está “recomendando fortemente” aos funcionários que adotem o trabalho remoto é a Loft (foto). A construtech, que se tornou um unicórnio neste ano, criou um documento em que são publicadas atualizações em tempo real sobre os casos no Brasil e no mundo. A startup também informa as medidas preventivas, quais são os principais sintomas e o que fazer em caso de suspeita.

O plano de ação da startup inclui não sediar mais eventos abertos a partir desta sexta-feira (13) e que nos eventos internos sejam usados a ferramenta de videoconferência Zoom. Para aqueles que desejam ir ao escritório, a Loft recomenda que não utilizem transporte público e que utilizem álcool em gel nas mãos antes e depois de utilizar bicicletas e patinetes compartilhados, bem como corridas por aplicativo.

A partir desta segunda-feira (14), apenas o escritório da Augusta irá funcionar — os da Paulista, São José e Rio de Janeiro serão fechados por motivos preventivos. Não há nenhum caso confirmado de coronavírus em um funcionário da empresa.

Como o RH deve se posicionar?

Cabe ao setor de Recursos Humanos auxiliar os funcionários a se adequarem nesse período de emergência — seja dentro ou fora do escritório. “Eles passaram as instruções básicas do que todos devem fazer, como não ir a locais com muita concentração de pessoas, e se colocaram à disposição caso alguém precise de ajuda com algo”, contou o líder de marketing da Accountfy.

Para ele, essa é uma oportunidade para as startups ganharem mais flexibilidade. “Para quem tem vontade de trabalhar remotamente, esse é o momento de quebrar o paradigma de que o trabalho é apenas presencial, de que rende apenas quando todo mundo está junto”.

A internet, as plataformas de videoconferência, a computação e o armazenamento em nuvem são alguns dos pontos que tornam possível que alguns trabalhos sejam feitos remotamente. Esse cenário não seria possível há algumas décadas, o que poderia impactar ainda mais a economia do Brasil e do mundo. Além do trabalho remoto, escolas estão fechando e aulas estão sendo assistidas online.

Para os RHs, isso significa uma mudança de paradigma. A forma como as empresas estão lidando com os fatos que estão acontecendo agora irá definir seus futuros — e isso inclui a forma de trabalhar. Portanto, é importante que os setores de recursos humanos estejam abertos e aptos para inovar.

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No setor de startups, o home office se tornou um benefício a ser oferecido pelas empresas, a exemplo da Mutual, fintech de empréstimo pessoal. “Não precisar se preocupar com trânsito, transporte público ajuda na atração no mercado. Nós adotamos essa postura de trabalho remota — se houver cinco pessoas em uma reunião online e apenas uma não estiver presente, todas as outras irão usar videoconferência para quem não está presente consiga se integrar bem àquela reunião e ao convívio comum”, conta Victor Fernandes, cofundador da Mutual.

Atualmente, 40% dos 60 funcionários da fintech moram em outros estados. “A nossa cultura foi montada para ser uma empresa remota com o presencial. Nós focamos em resultados, entregas e não no controle. Temos confiança mútua entre os funcionários e times e dá resultado na forma que trabalhamos”, disse Fernandes. Os profissionais são divididos em squads que se encontram a cada dois ou três meses no Rio de Janeiro, sede da companhia.

“Nós fomos a primeira fintech do Rio de Janeiro a ter adotado totalmente o remoto se precavendo da epidemia. Na terça-feira (10) todos os colaboradores deixaram de usar o escritório e a produtividade e as entregas não mudaram em nada”, disse o empreendedor.

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